quarta-feira, 27 de outubro de 2021

 

 
 
 

ENTARDECER

 

Cai a tarde vaporosa e  lenta

Matizada pelas chispas douradas, escapadas do sol poente

Adormece embalada pelo gorjear das aves canoras, numa sinfonia de doce lamento

Preludiando a noite preta, tracejada por buliçosas estrelas cadentes

Saudando a lua alheada, entre nuvens violáceas e cinzentas

Cai a tarde, pacientemente...

 Vem soprada pelos vórtices, varrendo as folhas secas, barulhentas

Rouquejando como lâminas afiadas, pelas calçadas arrastadas; ruidosamente

Quebrando o silencio das tardes  bucólicas e de  lirismo florente

Cenário idílico que à  poesia inspira  é dá ao poeta preciosa  ferramenta

Levando-o a mergulhar na quimera e mitigar a dor que  na alma sente

Para que a tristeza seja humilhada e tratada,  como coisa pestilenta

A felicidade recrudesça e seja grassada pelos silfos dos ventos

Devolvendo à boemia, a poesia da ruazinha silente 

Aquietando-se sob as centelhas douradas, bordando o mando prateado da lua nascente.

 

( Inez Resende de Jesus)

 

 

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